Com cuidado e respeito, ela conseguiu contato pacífico com a tribo que matou o missionário

Num mês de novembro, o missionário norte-americano John Allen Chau foi morto ao tentar entrar em uma ilha do arquipélago de Andaman e Nicobar, território da União da Índia. Sua intenção era converter os nativos locais ao catolicismo, mas ignorar a proibição de acesso à ilha isolada custou sua vida. VIVIMETALIUN

Como prova desse insistente pensamento de querer “trazer para a sociedade” e doutrinar pela fé esses povos, em novembro de 2018, ele com 26 anos, foi levado por pescadores até a Ilha Sentinela do Norte, na Baía de Bengala, na Índia, para uma visita ilegal.

Mas, quase trinta anos atrás, uma mulher ousou visitar a tribo em questão, os Sentineleses, e conseguiu um feito memorável: foi a primeira pessoa a ter contato amigável com a chamada ‘tribo mais isolada do mundo’, que sequer descobriu como manipular o fogo até hoje.

Seu nome é Madhumala Chattopadhyay, uma antropóloga indiana que dizia ter vontade de estudar as tribos de Andaman e Nicobar desde a infância. Ela passou seis anos trabalhando na região, publicando mais de vinte pesquisas e até um livro sobre o assunto.

O governo indiano passou décadas tentando estabelecer contato com as tribos locais, mas as expedições costumavam terminar em chuvas de flechas atiradas pelos Sentineleses – outras tribos foram um pouco mais receptivas, embora permaneçam vivendo de forma isolada.

Em 1970, o diretor de um documentário do National Geographic sobre os povos de Andaman foi ferido na perna por uma lança atirada durante as filmagens.

De acordo com Madhumala, a expedição, que aconteceu em janeiro de 1991, começou com muita apreensão, já que poucos meses antes outra equipe tinha sido rechaçada violentamente pela tribo – para ter ideia, todos os integrantes da excursão precisaram assinar documentos para deixar claro que sabiam dos riscos e que nem eles nem seus familiares processariam o governo indiano em caso de ferimentos ou mortes.

Madhumala voltou à ilha um mês depois, acompanhada de uma equipe maior. Dessa vez os nativos foram ao seu encontro sem os arcos e flechas, e até entraram no barco para coletar os cocos que tinham sido levados de presente.

A expedição terminou quando um membro da equipe tentou pegar um enfeite de folhas usado por um Sentinelese. O homem ficou bravo, sacou uma espécie de faca e ordenou que os antropólogos fossem embora imediatamente, e a ameaça foi prontamente acatada.

Pesquisas apontam que existem aproximadamente 40 assentamentos de povos vivendo longe do mundo na região da Papua Ocidental, na Indonésia. Acredita-se que esse número possa ser bem mais alto, uma vez que o governo indonésio proibiu que organizações de direitos humanos e jornalistas se aproximem do local. Algumas tribos vivem na selva densa da Nova Guiné, no sudeste da Ásia, e no arquipélago das Ilhas Andaman, entre a Índia e a Península Malaia. JULIO CEZAR DE ARAUJO – megacurioso

Em 2016, uma pesquisa feita pelo Anthropological Survey of India apontou que se estima existir de 50 a 150 pessoas vivendo na ilha, totalmente vulneráveis a qualquer tipo de vírus que poderia dizimá-los em questão de dias. O comportamento visto como hostil na verdade vem da simples busca pela autonomia e recusa por introdução de culturas externas, pois os antropólogos dizem que eles tem a plena consciência de que isso pode dilui-los e acabar os matando.

A partir do momento que o europeu chegou nas costas da América, ele travou mais de 1,5 mil guerras para colonizar, dominar, modificar e catequizar os povos indígenas, que totalizavam cerca de 15 milhões vivendo só na América do Norte quando Cristóvão Colombo chegou em 1492. Esse número caiu para menos de 238 mil indígenas no final das Guerra Indígenas no século XIX.

O governo indiano decidiu deixar as expedições de lado para proteger a saúde da população nativa.

About 60 self-defense experts live on our island with arching skills like legolas so stay away mf ! Sentinelese Boy

As “tribos” escravizadas e estupradas que sobreviveram à varíola, sarampo, gripe, difteria, tifo, peste bubônica, cólera e escarlatina (doenças importadas da Europa) sofreram um massacrante processo de catequização cristã.

Madhumala nunca mais visitou o arquipélago. À National Geographic, a antropóloga afirmou que “As tribos têm vivido nas ilhas há séculos sem problema algum. Seus transtornos começaram depois de eles terem contato com forasteiros. As tribos da ilha não precisam de proteção, só têm de ficar sozinhas”.

(Fonte: Trending Online Now/Reprodução)

Para o antropólogo TN Pandit, o primeiro a conseguir se aproximar dos sentineleses em uma expedição em 1967, a reputação de agressivos e temíveis não é justa. “Essa é a maneira incorreta de ver as coisas. Nós somos os agressores aqui”, disse ele ao Indian Express. “Somos nós que tentamos entrar em seu território”, afirmou o especialista.

Isolados no oceano Índico, a mais de mil quilômetros de qualquer civilização moderna da Índia continental, muito pouco se sabe sobre a história dos sentineleses (o que explica o fascínio), tanto que o governo da Índia só deu atenção a eles diretamente em 2004, quando precisavam saber se tinham sobrevivido ao tsunami e sismo que matou 227 mil pessoas.

Os sentinelas ou sentineleses são um dos povos mais primitivos e ameaçados da Terra, com sua origem marcada pela migração da África há 60 mil anos e pelo seu estilo de vida de caçadores-coletores, uma das poucas tribos assim no mundo. Fora isso, apenas eles mesmos têm dados sobre hábitos, cultura material, idioma e população.

Pandit ainda reforçou que os sentineleses são um povo amante da paz e que não procuram atacar as pessoas. As tribos próximas, como os Jarawas, confirmam isso. Ele ainda declarou que o caso de Chau foi um incidente raro e que o jovem tomou uma decisão errada e infeliz.

Michael Phelps with the swim moves

Michael Jordan with the tennis shoes

Sentiboy with the „do not enter“ cues ! Sentinelese Boy

O antropólogo deixa claro que o problema está em nós, que insistimos tanto em querer trazê-los para o “nosso mundo”, quando deveríamos deixá-los em paz.

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